Condomínios adotam novas estratégias de limpeza para o combate à covid-19

Condomínios adotam novas estratégias de limpeza para o combate à covid-19

Condomínios Adotam Novas Estratégias De Limpeza Para O Combate à Covid 19 Post - Cysne Administradora de bens e Condomínios

05 jun Condomínios adotam novas estratégias de limpeza para o combate à covid-19

Investimento em materiais como álcool líquido e em gel chega a ser quase sete vezes maior do que gasto de período antes da pandemia.

Especialistas ainda alertam sobre o uso de produtos adequados

A ameaça de um vírus invisível redobrou a preocupação com a limpeza de ambientes. Para prevenir a disseminação do novo coronavírus, moradores do Distrito Federal começaram a ter um novo olhar para objetos constantemente tocados e a pensar novas ações de desinfecção contínua. Em condomínios, então, o cuidado é ainda maior devido à concentração e à circulação de centenas ou até milhares de pessoas. Por isso, novas estratégias de limpeza foram adotadas e os recursos destinados a produtos como álcool foram mais do que dobrados.
É o que ocorre no condomínio em que Lucia Helena de Souza, 58 anos, é síndica. O Living Park Sul, no Guará, concentra 1.152 apartamentos nos 14 blocos, o que exige cuidados especiais. A compra de álcool líquido e em gel antes da pandemia custava R$ 203 por mês — valor que subiu quase sete vezes e, hoje, é de R$ 1.348 mensais.
“Sempre prezamos muito pela limpeza, mas agora tivemos que intensificar ainda mais algumas ações, porque temos responsabilidade de cuidar de todos os moradores e funcionários. Então, colocamos mais dispensers de álcool em gel pelo condomínio, passamos a fazer limpezas a cada duas horas e contamos ainda com uma desinfecção especial em todos os blocos”, detalha.
Por trás de máscaras, óculos, luvas e uniformes, 170 funcionários do Living colocam em prática as recomendações que aprenderam em treinamentos específicos para essa pandemia e dividem os méritos sobre a baixa taxa proporcional de contaminação entre moradores.
“Temos em mente que é preciso fazer cada desinfecção, de cada ponto do prédio, como se alguém com covid-19 tivesse tocado ali. No início, foi difícil, porque ainda não havia muita informação e todos estavam um pouco assustados. Mas os funcionários foram preparados, fizeram treinamentos de desinfecção, ganharam equipamentos de proteção e passaram a ter mais segurança”, conta a síndica.
Novo cenário
Especialista em condomínios, Nicson Vangel considera que a limpeza não só se intensificou, como também se modificou com o avanço do coronavírus.
“O cenário mudou muito em relação ao período de antes da pandemia. A nova forma de limpar agora é mais focada na desinfecção, tendo como alvo os equipamentos comuns, como maçanetas, leitor de biometria, botão de elevador, corrimão de escada. Ou seja, coisas que todo mundo precisa tocar no dia a dia”, comenta o CEO da Âncora Condomínios.
Nicson diz que os administradores de prédios tiveram que realizar mais compras para a limpeza, contratar novos funcionários e dar mais orientações aos moradores.
“Estimamos um aumento em torno de 25% a 30% do custo com a limpeza por conta da covid-19. Às vezes, só um zelador fazia esse trabalho, mas mais pessoas foram contratadas. E as campanhas de conscientização passaram a ser essenciais. Na Âncora, lançamos quatro, desde os primeiros casos no DF, com informações dos decretos, de higiene, prevenção e mais”, lembra.
O especialista também diz que esse é um momento em que a função do síndico vem com uma grande responsabilidade, pois Brasília é uma cidade muito verticalizada e ações bem pensadas e realizadas desses trabalhadores preservam a vida de milhares de pessoas.
Fabiano dos Santos, 43, é uma das pessoas que têm esse papel de combate à disseminação do vírus em condomínios do DF. Síndico do Residencial Cedro, em Águas Claras, ele conta que alterou o planejamento de limpeza do prédio.
“Como não há mais o uso de áreas de lazer e entretenimento, redirecionamos as atividades dos funcionários para intensificar a limpeza de áreas comuns. Então, quem antes fazia um serviço na academia passou a auxiliar com corrimãos e elevadores, por exemplo”, observa. O edifício também conta com a conscientização e a informação para que cada morador contribua no combate à covid-19.
“Os comunicados são bem efetivos. Informamos sobre a lavagem correta das mãos, cuidados com o uso da máscara, atenção para não entrar no elevador com outras pessoas. São coisas que podem parecer simples, mas que vão ajudando a reforçar e a fixar na cabeça das pessoas o que deve ser feito nesse novo cenário”, diz Fabiano. O condomínio também presenciou atitudes de solidariedade, como moradores que confeccionaram máscaras de proteção para funcionários, colocaram pontos de álcool líquido nos corredores e até improvisaram um mecanismo perto de elevadores para tirar palitos de dente e apertar os botões sem o toque. “As pessoas têm o entendimento de que é uma situação difícil, mas que cada um pode colaborar da própria forma”, afirma.
Dentro de casa
É preciso ter atenção especial para manter um ambiente seguro contra o coronavírus também dentro de casa ou apartamento. O Conselho Federal de Química (CFQ) criou campanhas sobre o uso de materiais de limpeza adequados e sobre as formas de utilização.
“Cada produto tem um objetivo. Alguns são mais recomendados para algumas superfícies, outros para a pele, outros para o chão. Mas a recomendação base, em todos os casos, é não misturar produtos, porque isso pode prejudicar a saúde”, explica Rafael Almada, presidente do CRQ III, do Rio de Janeiro. O especialista alerta que a periodicidade das limpezas é mais eficaz do que procurar uma ação duplicada de dois compostos diferentes.
“A água sanitária é recomendada para limpar o chão, mas não é bom misturar com álcool líquido e pode ser prejudicial para alguns móveis, por exemplo. Em outras superfícies, como maçanetas, mesa ou interruptores, um pouco de álcool já é eficaz”, explica. Rafael ainda lembra que é necessário refletir sobre tudo o que entra no lar. “Às vezes, a pessoa cumpre o isolamento, mas precisa ir ao mercado e não faz a limpeza da bolsa ou dos produtos quando volta. Isso pode levar a uma contaminação. Então o correto é lavar com água e sabão o que pode ser lavado e utilizar álcool 70% na embalagem de outros alimentos. No caso de verduras,  a orientação é deixá-las durante 15 minutos em uma solução com cerca de 15ml de água sanitária para cada 1 litro de água”, detalha.
Neusa Costa, 67, adotou hábito de lavar as mercadorias que chegam em casa, cumprindo à risca as orientações de especialistas.
“Primeiro, lavo com sabão o que pode, depois, coloco em uma bacia com água sanitária. Quando são embalagens de arroz, feijão ou algo assim, passo um pano com álcool líquido”, detalha a aposentada. Ela também relata que as novas ações de limpeza viraram rotina, mesmo estando sem receber visitas. Móveis, maçanetas e chão passaram a ser higienizados ainda mais vezes, e alimentos que eram lavados apenas antes do consumo, agora são limpos na hora que chegam. “São coisas que acabam sendo trabalhosas, requerem mais tempo, mas passam mais segurança; então, são vantajosas”, avalia.
Agora é lei
Em 29 de abril, o governador Ibaneis Rocha (MDB) sancionou a Lei Nº 6562, que torna obrigatória a higienização periódica de portas, maçanetas, corrimãos, puxadores, interfones e elevadores para todos os edifícios ou condomínios no Distrito Federal, em intervalos de duas horas, das 6h às 22h, com álcool 70% ou com material análogo capaz de exterminar o vírus da covid-19. A proposta teve autoria do deputado distrital Reginaldo Sardinha (Avante), e implica uma multa de R$ 2 mil por infração, em caso de descumprimento. A lei tem vigência de seis meses, podendo ser renovada, dependendo do cenário da pandemia no DF em outubro.
Higienização segura
O Conselho Federal de Química preparou um informativo sobre limpeza em meio à pandemia. Confira algumas dicas:
  • » A água sanitária é um excelente germicida utilizado para a desinfecção de superfícies. Para desinfecção química, nunca utilize a água sanitária pura, sempre faça a diluição com água. A solução de água sanitária diluída ajuda na prevenção e pode ser usada tanto na higienização das mãos quanto na desinfecção de superfícies, como mesas, cadeiras, maçanetas, pisos, banheiros, solas de calçados, embalagens, etc.
  • Se precisar sair de casa, quando voltar, não permita que o vírus entre com você. Higienize seus calçados antes de entrar em casa. Remova o máximo possível das sujidades (poeira, lama, restos de planta, etc.) que possam ter aderido ao calçado e, para desinfectar as solas, passe os pés num pano embebido da solução clorada 0,1%. Caso prefira, você também pode usar um borrifador. Além de prevenir contra o novo coronavírus, essa prática reduz bastante o risco de outras infecções causadas por microrganismos.
  • Após serem limpas com água e detergente neutro, as superfícies de mesas, cadeiras, bancadas, maçanetas, chaves, brinquedos, objetos de decoração e até embalagens de produtos trazidos do supermercado ou recebidos de serviços de delivery podem ser desinfectadas usando a solução diluída de água sanitária na concentração 0,05%. É importante destacar que alguns materiais são sensíveis ao produto, podendo sofrer corrosão ou mesmo alteração de cor (branqueamento). Se confirmada a sensibilidade do material, para essa superfície deve-se usar álcool 70%.
  • Para higienizar celulares e outros aparelhos eletrônicos, prefira o álcool isopropílico por ser menos miscível em água que o etanol, dificultando a oxidação das peças, e também por ser uma recomendação dos próprios fabricantes desses aparelhos. A água sanitária pode reagir com os materiais que compõem tais aparelhos e danificá-los irreversivelmente.
Cuidados com intoxicação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) levantou que, de janeiro a abril deste ano, os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) do país receberam 1.540 registros de intoxicação devido a produtos de limpeza envolvendo adultos. Em relação às crianças, foram registrados 1.940 casos. Por isso, a Agência listou dicas de como evitar problemas de saúde com os materiais. 
  • Mantenha os produtos de limpeza fora do alcance de crianças e animais. Esses produtos podem atrair a atenção, principalmente de crianças pequenas, entre 1 e 5 anos de idade.
  • Evite o armazenamento desses produtos em recipientes diferentes e não etiquetados.
  • Não deixe detergentes e produtos de limpeza em geral embaixo da pia ou no chão dos banheiros.
  • Evite a mistura de produtos químicos.
  • Jogue fora as embalagens vazias, porque elas sempre ficam com restos dos produtos.
  • Em caso de emergências toxicológicas, não provoque vômito. Tenha em mãos o número do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox): 0800-722-6001.

Fonte: Correio Braziliense



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