‘Vícios’ de construção, as imperfeições de condomínios viram problema para morador

‘Vícios’ de construção, as imperfeições de condomínios viram problema para morador

01 fev ‘Vícios’ de construção, as imperfeições de condomínios viram problema para morador

Construtoras entregam menos do que o divulgado nas vendas, como piscina comum no lugar da prometida borda infinita, e reclamações vão parar no Procon; garantia de prédios é de cinco anos, segundo Código Civil

Uma infiltração na garagem de um condomínio novo em Guarulhos fez com que o empresário e síndico profissional Orlando José da Silva acionasse a construtora para pedir reparos sem custos adicionais. Tratava-se de um “vício”, como são chamadas as imperfeições deixadas pelas empreiteiras, alvo de recursos já que o Código Civil determina ao empreendimento até cinco anos de garantia após a entrega das chaves.

O síndico, porém, quase teve seu pedido de reparo na manta da garagem negado. “A construtora alegou que não estávamos fazendo a manutenção adequada.” Com o auxílio de engenheiros peritos, Orlando tinha em mãos um plano de manutenção e conseguiu provar que a infiltração não decorreu de negligência, mas de defeito na aplicação da manta. “Economizamos R$ 380 mil. Senão, teríamos que ter feito um rateio. E eu teria sido destituído.”

O problema de Guarulhos não é um caso isolado. Entre janeiro e novembro de 2018, as reclamações sobre má qualidade de construção recebidas pelo Procon-SP representam 5% das 723 queixas registradas – a líder das reclamações é o não cumprimento de contrato, com 21%.

Para Hubert Gebara, presidente da administradora que leva seu nome, a solução mais eficaz é a prevenção: acompanhar a construção desde a planta e pensar no empreendimento em função do morador. “O projeto tem de ser um espelho da realidade”, diz. O depósito para lixos recicláveis, por exemplo, deve ser pensado de modo a comportar os materiais dos moradores, considerando que a prefeitura não realiza o serviço de coleta seletiva diariamente.

“As construtoras estão mais preocupadas com questões de perfumaria do que de funcionalidade”, diz Pedro Cunha, síndico e diretor da Safira Serviços. Para ele, os esforços são empregados no embelezamento do projeto para conquistar os clientes, pois quase nunca todos os apartamentos são vendidos antes do lançamento, enquanto a funcionalidade fica em segundo plano.

Para evitar dor de cabeça, a dica é o futuro condômino conversar com o administrador – se o prédio já dispuser de um – antes de fechar a compra, até porque “não existe condomínio perfeito”, diz Cunha.
“Houve um caso em que a construtora usou a foto ilustrativa de uma piscina com borda infinita no panfleto, mas entregou uma de modelo comum”, conta ele. “Os moradores, revoltados, pressionaram a construtora, que deu uma verba de cerca de R$ 30 mil para o condomínio como forma de compensação.”

Mais reclamadas

A pedido do Estado, o Procon-SP divulgou o ranking das cinco construtoras mais reclamadas no ano passado. No topo da lista está a Econ, com 60 Cartas de Informações Preliminares (CIP) e Índice de Solução (IS) de 46%.

O Procon emite as CIPs a cada reclamação recebida para intervir no conflito ou pedir esclarecimentos. Para o caso ser considerado solucionado, é preciso ter um retorno positivo do cliente que abriu a reclamação. Caso contrário, a empresa entra no Cadastro de Reclamações Fundamentadas, divulgado anualmente, e o consumidor é instruído a procurar a Justiça.

A Econ respondeu que as CIPs emitidas equivalem a apenas 2% dos 2.984 imóveis comercializados no ano, ressaltou que os casos não resolvidos foram considerados improcedentes na análise da empresa e que investe na melhoria do atendimento ao público.

Em segundo lugar, está a Gafisa, com 58 CIPs e IS de 63%. A empresa disse que esclarece prontamente todas as reclamações, apresentando soluções de acordo com os contratos.

A terceira posição é da MRV, com 52 CIPs e IS de 59%. “Temos um porcentual abaixo de 1% de reclamações totais”, disse em nota, acrescentando que criou um atendimento exclusivo para o Procon.

Em quarto vem a Cury, com 33 CIPs e 33% de IS. A empresa disse que os “vícios” são 0,01% do total de reclamações e que, antes de audiência no Procon, busca contato com os clientes para resolver a questão.

A quinta é a Plano & Plano, com 28 CIPs e IS de 47%. “As reclamações representam apenas 0,25% da base de clientes ativos”, disse a empresa, que informa ter cumprido 100% das cláusulas contratuais.

IMPERFEIÇÕES MAIS COMUNS

Os principais vícios relatados pelas administradoras Hubert, Graiche e Mario dal Maso:

Guarita. Blindadas sem comunicador, sem gavetão para encomendas e com ponto cego que coincide com a entrada da garagem, o que traz riscos para a segurança.

Muros. Baixos demais, com menos de 3 metros, ou sem infraestrutura de tubulação que facilite a instalação de câmeras e de cerca elétrica.

Lixeiras. Não preparadas para acolher a quantidade de lixo condizente com o número de moradores e com a periodicidade da coleta da prefeitura, além de instaladas em meio a carros.

Garagem. Sem espaço suficiente para carros grandes, do tipo SUV, principalmente em prédios de alto padrão.

Decoração. Paisagismo, mobiliário de áreas comuns e salão de festas efetuados de forma diferente à que foi vendida.

Fonte: Estadão



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